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Psiu!
Na dúvida, cale.
Escrito por cynara às 13h09
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Síndrome do Porco-Espinho
Coluna da Vip desse mês... Divirtam-se! *** Síndrome do Porco-espinho Chega pra lá! Que intimidades são essas?
Há algo sobrevalorizado nas relações entre homem e mulher: a intimidade. Todo mundo fala da intimidade como se fosse grande coisa. Mas quem disse que para amar alguém é preciso chegar tão próximo dela? Intimidade é bom mesmo – no sexo. É realmente delicioso quando um homem e uma mulher conhecem cada duna, laguna e vale da geografia do outro. E quando, exploradores natos, não se cansam de descobrir novas paragens... Fora da cama, para que tanta? Pra neguinho soltar pum do teu lado? Eu, hein? Um homem não pode ser buddy de sua mulher, o camaradinha com quem ele pode falar de tudo, até do bundão da morena que acabou de passar, rebolando entre as mesas do bar. Ponha na cabeça: sua mulher não é o seu “melhor amigo”! Deve haver amizade entre o casal, mas não excessiva: os dois não podem se tornar coleguinhas. Sou contra até que a mulher vare noites seguidas acompanhando seu homem ao boteco. De vez em quando, vá lá. Mas a mulher que exige ir sempre junto, em vez de liberá-lo pros comparsas, não sabe que está jogando contra si própria... Quando vê, já virou buddy. Lembro de um conhecido que estava rindo no trabalho quando recebeu uma ligação da mulher. Ela perguntou qual era a graça e ele contou a seguinte piada: “Sabe qual a semelhança entre a esposa e uma laranja? Você já sabe o gosto das duas, mas continua chupando do mesmo jeito...” Fala sério! Isso é coisa que se diga pra sua companheira, meu chapa? Intimidade dá nisso. Daí para o pum é um passo. Há coisas que a gente ama fazer sozinho. Eu adoro trocar de roupa sem ninguém por perto. Adoro me exibir só depois de vestida, penteada e perfumada – nudez é para outros momentos. É chatérrima essa intimidade de ficar dentro do quarto enquanto a gente troca de roupa... Assim como, se não for para brincar debaixo do chuveiro, acho péssimo tomar uma ducha com alguém dentro do banheiro. O banho é um dos maiores prazeres individuais que existem. Um santuário de água, solidão e silêncio. Não perturbe. Pra que um homem precisa saber que a mulher pinta o cabelo? Pra que uma mulher precisa saber que o homem passa talco no pé? E o passado? Pra que tanto escarafunchar? As mulheres adoram! Não permita, amigo, que ela saiba exatamente quais de suas amigas você comeu! Esconda, omita. O máximo possível. Por outro lado, um homem jamais deve ter intimidade com a mulher a ponto de fazer comentários do tipo: você engordou; essa roupa não te cai bem; seu cabelo não está legal. Não apenas porque essas observações são meio gays, mas porque o homem só deve opinar sobre a aparência da mulher para elogiar. Senão, psiu! Sei que é complicado estabelecer, na proximidade do casal, uma distância. Mas não é impossível. Amalgamar-se ao outro, conhecer todas as suas nuanças, embota o amor. Quebra o encanto. Entedia. Certa vez a escritora Lygia Fagundes Telles me contou que sua mãe costumava dizer: “Minha filha, faça o que você fizer, guarde seu sétimo véu”. Ela achava engraçado, perguntava: “Que sétimo véu será esse?” Isso nunca me saiu da cabeça... Eu só descobri a resposta depois de muito tempo: não revele tudo, não se revele todo. Desconfio que Lygia no fundo soubesse, porque na mesma entrevista ela soltava, ao final, a chave do enigma: “É preciso obedecer o mistério”. E não há mistério que resista a tanto chegar junto.
Escrito por cynara às 13h50
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Bahia, ai, ai...
Depois de um curto e marrrravilhoso verão, aqui estamos de volta ao mundo virtual. Tenho coisas pra contar. Espero que haja olhos para ler. *** Eu nasci numa cidade pequena do interior da Bahia, Ipiaú. Nunca morei lá, é onde moravam meus avós e até hoje moram minha avó Bisa, minhas tias Rita, Dulce, Deme e Vone e meu tio Luiz (completando a família, também há minha tia Lene, que mora em Ilhéus!). Minha avó Ritinha também viveu lá até sua morte: ou seja, tanto a família paterna quanto a materna adotaram Ipiaú como sua... Sempre, durante as férias, estávamos por ali. E como a gente vivia pulando de cidade em cidade, essa ficou como minha terra natal. Retornei a Ipiaú nessas férias. Quem é de São Paulo (ou de qualquer capital, talvez) não sabe o que é voltar à cidade natal! É lindo e melancólico, doce e triste. O encontro do umbigo com a cova. A infância toda desfilando na memória: lugares, sabores... E a velhice por vir também. Minha madrinha envelhecendo, sua irmã entrevada na cama, minha vovó querida me dizendo que às vezes sente vontade de ir... Longa jornada espírito adentro. Experimente, se puder. *** Salvador é uma outra cidade natal, da adolescência, dos amigos de faculdade. Nada melancólica! Pura festa, sol e mar. Que cidade linda. E sabe o que é fascinante? Ir em lugares que nunca fui! (Com amigos queridos: gracias, Paulo!) Recomendo: Ponta do Humaitá, na cidade baixa. Que coisa... Um farol de 1935, a baía de Todos os Santos ao fundo... E dizem que comer siri na Pedra Furada também é programão. Não deu tempo para mim. Quando passei na faculdade, saí de Itabuna para Salvador e fiquei apaixonada. Escrevi: "Não permita Deus que eu morra fora daqui". Quem sabe é profecia? *** Depois conto mais. Feliz 2006!
Escrito por cynara às 12h28
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