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    Viver é o bicho

    Coluna da Vip nas bancas... Fãs de Schopenhauer, não aconselho a leitura!!! Rárárárá
    ***
    VIVER É O BICHO
    Num mundo cheio de gatas, como alguém pode preferir poodles?

    Nunca me conformei com o pessimismo. E desprezo os pessimistas. São uns chatos de galocha. Esnobes às pampas, fazem a escolha de pensamento que lhes parece mais “sofisticada”, como se o otimismo em si fosse tolo. Ora, ser pessimista é fácil. Todo mundo morre, a condição finita do homem já seria razão suficiente para achar a vida um lixo, para passar os dias como Hardy, a hiena: ó dia, ó vida, ó azar. O pessimismo não precisa ser testado. O otimismo, sim, é posto à prova a cada manhã.
    O pessimista não é um sujeito bem-informado, como se diz: é gente cerebral demais. Cabeções. E sabe da maior? Esses caras não transam! A maioria dos grandes filósofos, pessimistas que só eles, nem sequer se casou. Rá! Não conseguiam pegar mulher! Rejeitados, desprezavam o sexo feminino – e o sexo em geral. O mais patético deles (não por acaso chamado de “o filósofo do pessimismo”), Arthur Schopenhauer, viveu só e exclusivamente na companhia de... um poodle. Ou seja, preferiu o mais idiota dos cães a uma mulher (ou homem, sem preconceito).
    Agora entendo por que ele dizia que “viver é sofrer”. Pudera! Até eu sofreria se meu único objeto de afeição fosse um poodle.
    O tal cachorro se chamava Atma, que quer dizer “alma do mundo” em hindu – mas os vizinhos em Frankfurt o apelidaram “Schopenhauer Jr.”, já que um não desgrudava do outro. Dizem que o filósofo, quando queria ralhar com o cão, dizia: “Homem!” Considerava essa a palavra mais insultante que poderia dirigir a um animal.
    Para Schopenhauer, o instinto sexual turva o intelecto masculino... Fala a verdade: que tipo de conselho alguém pode querer de uma pessoa dessas? Desculpa, mas gente que não transa não pode ser bom conselheiro! A não ser aqueles que no fim da vida escrevem: não façam da sua existência a desgraça que fiz da minha... “Vi espíritos jovens estragados à ruína pela erudição”, alertava Nietzsche em seu derradeiro livro, Ecce Homo, pouco antes de o excesso de pensamento – e a falta de sexo, quem sabe? – o enlouquecerem de vez.
    Está provado que só é possível filosofar em alemão. Pois escolham outros ídolos. Rapazes: dizem que Goethe, um pensador magnífico, tão grande quanto qualquer um desses filósofos sem falo, chamava seu órgão sexual de meister (mestre)! E o danado, aos 74 anos, se apaixonou por uma moça de 19... O que dizer então do bom e velho Karl Marx, esse Gilberto Freyre da Prússia, alemão de pele morena, chegado a umas boas encoxadas na criada da família? Goethe e Marx tinham o que muitos intelectuais parecem ter perdido: joie de vivre, tesão pela vida. Tenho observado que cada vez mais tem homens pensantes por aí que estão esquecendo o outro lado: o instinto. Deixar-se guiar por ele é uma experiência deliciosa. E humana. Deixar a pele mandar, liberar o lado animal, primitivo. Sem pensar muito (coitado do poodle, será que também era obrigado a viver sem sexo?).
    Talvez as mulheres tenham criticado tanto o homem por “pensar com a cabeça de baixo” que eles resolveram inverter tudo. O tiro saiu pela culatra: complicaram as vidas deles e consequentemente as nossas tentando minimizar a importância desse “cérebro filial”, que proporciona, afinal de contas, muito mais felicidade instantânea do que a encucada matriz.
    E otimismo: ceder aos impulsos faz a vida menos cinza e mais cor-de-rosa. O cérebro, aliás, é pura massa cinzenta, não?


    Escrito por cynara às 15h48
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