Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher



Histórico


    Votação
     Dê uma nota para meu blog


    Outros sites
     Lea Dorf
     Ronaldo Bressane


     
    cultura loser & filosofia barata


    Eterno review

    De noite na noite. Calçada de bar. Espectros vão e voltam às voltas com a dama branca. Hum, já não vi isso antes, tipo zilhentas vezes?
    ***
    Fico pensando se Nietszche, quando falou do eterno retorno, não se referia ao eterno déjà vu... A mesma cena se repetindo ad infinituum. A vida como um flashback sem fim. E cada vez mais.

    Escrito por cynara às 12h38
    [] [envie esta mensagem] []



    Baile da Saudade Futura

    Coluna desse mês na Vip. Em homenagem à rabugice!

    ***

    BAILE DA SAUDADE FUTURA

    Ah, as maravilhas da terceira idade...

    Rugas, pelancas, cabelos brancos, despencagem e decrepitude física em geral: ficar velho é ruim, todo mundo concorda. Pois eu descobri um lado ótimo na velhice! Que devíamos, inclusive, antecipar (e exercitar): a rabugice. Ser rabugento é o cúmulo de liberdade que um ser humano pode ter. E por que precisamos esperar ficar velhos para tê-la? Rabugice já!

    Pense nos velhinhos mais rabugentos que você conheceu. O que era exatamente considerado rabugice neles? O simples fato de se recusarem a fazer o que não estão a fim, tipo tomar banho, pentear o cabelo, usar paletó ou ser educado com as visitas.

    Ou seja: só porque trocaram as convenções sociais pelas individuais (as suas), passaram a ser chamados de rabugentos... Porque aprenderam a dizer não quando é necessário para eles próprios, e não para os outros! Um exercício dificílimo, na verdade. Tem gente que passa a vida aprendendo. Quantas vezes você não ficou morrendo de vontade de dizer uns desaforos para alguém que merecia ouvir e não pôde, porque teve de ser educadinho? Quantas vezes ficou louco por não ter sabido dizer um sincero NÃO?

    Não seria delicioso livrar-se de todo esse rapapé social a que você está acostumado desde o berço e poder dizer para aquele pentelho do seu colega, aquele cujos papos-aranha todos os dias é obrigado a suportar (porque, afinal, é o dito homem cordial):

    Como você é chato, hein? Desencosta, não me acompanha que eu não sou novela!

    Um velho rabugento pode fazer isso e muito mais! Sabe aquela vizinha encrenqueira? Você poderá insultá-la diariamente e até, quem sabe?, numa boa oportunidade passar-lhe uma bela rasteira enquanto ela atravessa a portaria. E, ainda por cima, rir com gosto depois de assistir à queda! O máximo que vão dizer é:

    Ah, esse velho rabugento é fogo!

    E aquelas reuniões em mesa de bar onde você começa a discutir polidamente com uma pessoa sobre um assunto do qual ela não entende patavinas e mesmo assim fica insistindo em dar pitaco, tentando provar que tem razão? Resposta rabugenta nela:

    Não discuto com gente burra.

    Fila do banco? Entra na frente sem pedir licença, no máximo despacha aquele sorrisinho que só os velhinhos têm. Simpáticos! Fila do banheiro? Opa! Esperando mesa no restaurante?

    Desculpa (cof, cof), o velhinho não pode esperar, viu?

    — Claro, tio, imagina!

    Maravilha.

    Vieux Terrible

    E os anarquismos que se pode fazer? A avó de uma amiga minha adorava soltar pum em ônibus lotado só para ter a suprema satisfação de ver que ninguém desconfiava dela:

    Aquela velhinha simpática é que não foi!

    Dá para tirar casquinha de tudo quanto é mulher:

    Peitinho gostoso, netinha. Posso ver se é de verdade? Hummm...

    — Bundinha mais durinha, minha fia. Posso apertar? Ahhhh!

    E as "vítimas":

    Que velhinho engraçado! Safado, passou a mão em mim...

    Mas, dúvida cruel: como antecipar a rabugice sem ser velho? Na cara-dura ou usando algum disfarce, só para experimentar? Ainda não me decidi. Enquanto penso numa solução, aproveito para confessar que não quero cumprimentar ninguém hoje, que não tô a fim de conversa fiada e que vou ali dizer para aquela sirigaita que está paquerando meu namorado na minha frente:

    — Sem-vergonha, assanhada de uma figa, volta aqui que vou te dar umas boas bengaladas!

    Velhicezinha boa, sô.



    Escrito por cynara às 11h26
    [] [envie esta mensagem] []




    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]