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    Felizes para sempre?

    Sei que ando relapsa com o blog... Até andei pensando coisas, mas difícil parar para escrever. Qualquer hora, quem sabe.

    Por ora, textim da coluna da VIP, como sempre. Have fun.

    ***

    FELIZES PARA SEMPRE?

    Casamentos me trazem mais interrogações que exclamações

     

    E se o casamento acabou? E se dessa vez foi de verdade? Sumiu, desapareceu, escafedeu-se, puf?

    Eu estou até hoje esperando. Casar exatamente, não. Mas encontrar um companheiro, alguém para caminhar ao lado nesse mundo tão só, fazer coisas juntos, viajar, sair para dançar, andar de bicicleta, tomar um porre e voltar para casa às gargalhadas, um amparando o outro pelas calçadas da vida. Alguém para apostar corrida na água: quer ver que eu ganho de ti? (Ganho nada, mulher jamais ganha de homem apostando corrida. Mas que é divertido, é.)

    E não é por segurança, não é por comodismo, não é para fazer minha mãe feliz, não é por carência, não é para saciar a solidão. Não é por nada, não. É por economia – de energia. Se você está com alguém então sobra tempo para cuidar de outras coisas, pode ler, fazer esporte, ver os amigos, almoçar com a mãe, visitar o pai, brincar com o filho, aguar as plantas, ir à biblioteca...

    Vocês já pararam para pensar quanto tempo se desperdiça errando por aí, tentando encontrar um parceiro? Em vez de o amor ser parte da vida, algo que está ali, ajudando, dando alegria e força, vira o centro de todas as suas atenções. Acontece o mesmo quando a gente entra numa relação-roubada: você passa a só pensar naquilo e esquece de todo o resto, como se "todo o resto" não fosse igualmente (ou mais) importante. Amorcentrismo é ruim, a vida é mais que amor: tem outras coisas que eu gosto de fazer além de amar, você não? Amor pode ser a parte mais deliciosa da vida, mas não é a única.

    Acho que é por isso que vivemos querendo achar "aquela" pessoa duradoura, aquela que vai fazer a gente desencanar do amor – porque já o tem. Mas então: será que não mudou tudo e a gente continua teimando em acreditar que vai encontrar uma pessoa para durar, senão a vida toda, pelo menos por um bom tempo? Será que as relações nesse mundo tão apressado não se tornaram também apressadas, algo a ser curtido enquanto dure, sem tanta expectativa de futuro? O poeta já dizia...

    Quantas pessoas casadas você conhece? Da minha idade, conheço poucas. Mais novas do que eu, menos. E quantas pessoas casadas felizes você conhece? Não quero dizer "satisfeitas" nem "acomodadas", quero dizer "felizes", daquelas que a gente sente inveja boa de ver. Enfim, quantas? Posso contar nos dedos da mão esquerda.

    Mais: em quantos casamentos você foi que os noivos pareciam estar realmente apaixonados e não querendo apenas comprazer a família (sobretudo a da noiva)? Sou suspeita, nunca vou a casamentos, mas os poucos que fui me deixaram com a pulga atrás da orelha. Se era só para fazer festa, melhor comemorar o aniversário da avó. Ou até do cachorro. Por fim: quantos destes casamentos duraram?

    Talvez sejam novos tempos, mesmo, e a gente ainda não se deu conta. Talvez seja hora de rever nossas relações, hora de ter novos tipos de relação. Talvez as relações agora durem os três anos (no máximo!) que quase todas que conheço têm durado. E aí seja hora de ficar solteiro um tempo e depois partir para outra, que vai durar uns... três anos. Dá preguiça de começar tudo de novo? Dá. Mas era assim quando éramos adolescentes, lembram? Estávamos sempre ou namorando ou solteiros. E felizes.

    Digo isso para você. E para mim também.

     



    Escrito por cynara às 14h33
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