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    No meu iglu ou no seu?

    Coluninha da Vip pra descontrair (agora com ilustração! essa é do Walter Vasconcelos)...

    ***

     

    No meu iglu ou no seu?

    Toc, toc, toc. Quem bate? É o frio

     

    Eu já nem me lembrava do amor até quarta-feira passada – não tem tempos assim, em que a gente se distrai dele? Mas, estranhamente, desde aquela manhã o amor começou a me perseguir. Fica me mandando sinais. Às 11 e 47, recordo ter visto no relógio, retirei o elástico que prendia o maço de revistas deixado pelo carteiro; no que ele se desespichou, virou um coração sobre a mesinha da sala! Pouco depois, andava pela rua e reparei na mancha de óleo sob a traseira de um automóvel. Em formato de... coração.

    Seria paranóia, alucinação, obsessão sentimental? Fiquei matutando a razão de o amor vir atrás de mim, já que sou eu normalmente a persegui-lo. De noite, a cama gelada deu o toque: é inverno. E não há estação em que o amor reclame tanto sua ausência.

    Não me venham com edredons de plumas de ganso: não existe cobertor nesse mundo que aqueça mais que outro alguém. O calor humano tudo supre. Mata a sede e a fome. Não se sente medo. Dorme-se placidamente o sono dos aquecidos. Entende-se porque para um mendigo bem-acompanhado mesmo um caixote de papelão pode ser leito perfeito.

    Até amor platônico é capaz de fornecer calor. Inventar amores impossíveis para ter gente aconchegada dentro do peito: quentinho amigo no estômago não é só chocolate quente que dá. Deitar ainda sozinho, é verdade, mas com a sensação de que o futuro, como a meteorologia, promete céu aberto, mínima de 25 graus e sem pancadas de chuva.

    Dizem que a primavera é a estação do amor; discordo. Na primavera tudo são flores! Toda contemplação basta. Dias lindos de sol para percorrer por aí, sem necessidade de agasalho algum. Primavera é juventude, não é? Tempo bom para se andar sozinho. Inverno é velhice – e quem, em sã consciência, pretende vivê-la a sós?

    O outono é melancólico. Não penso no amor enquanto as folhas caem. O outono me desperta a memória das coisas que quero fazer antes que o inverno da vida chegue. Outono é época de planejar, e, claro, se vier amor junto, tanto melhor. O amor faz parte de qualquer projeto.

    A primavera e o outono são estações mornas, na delas; passariam despercebidas se não fossem tão belas. O verão e o inverno, ao contrário, são estações exageradas, imprevisíveis, indiscretas! Tanta intensidade incomoda: ou vocês já viram alguém reclamar da primavera?

    Amar no verão também é gostoso, o calor convida a atividades ardentes e com pouca roupa... Mas duvido de alguém que escolha o verão para se apaixonar. Aliás, apaixonar até pode – amar de verdade, será? Amor de verão não sobe a serra! Legal do verão não é ter um, mas vários amores. Entrar de peito aberto nesse mundo quente, cheio de novidades e vazio de compromissos. Tempo de comer pouco e frio, carpaccio, salada e sushi; no inverno, ao contrário, boca grande, apetite de comida forte – vocês sabem, de fácil digestão o amor não é.

    Por ora, melhor esquecer o verão, o outono e a primavera. É inverno lá fora e aqui dentro faz frio. Minha pele achou de precisar de outra, de querer se encantar por outra, de desejar se encaixar num envoltório de carne, sangue e músculos e ficar por ali. E eu é que não vou contrariar a pele.



    Escrito por cynara às 18h58
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    Melancolia pouca é bobagem

    Hoje faz uma semana já. O anjo subiu. Acendendo, reacendendo coisas apagadas dentro de mim, fênix dolorosae. É. Tanta coisa cafooooona, meu Deus. De 25 anos atrás e ainda, como pode? Vão-se à merda!

    Gentileza, só gentileza e o mundo seria outro.

      



    Escrito por cynara às 23h23
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