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    cultura loser & filosofia barata


    Niterói rules!

    Sexta-feira nublada no Rio, fui passear com o filhote em Niterói. Sempre quis conhecer o Museu de Arte Contemporânea, o MAC. Vulgo disco-voador do Niemeyer. Espetacular.

    Mas, antes, parada providencial no Mercado de São Pedro. Compramos meio-quilo de camarões graúdos no térreo. Tudo fresquíssimo, de dar água na boca em devoradores de pescados como nós. No primeiro andar, os bares preparam pra você na hora por uns trocados. Depois, para rematar, uma porção de sardinhas fritas. Cervejota gelada. Nham.

    No museu, tinha uma exposição da Lygia Clark muito legal, que o povo vê em menos de cinco minutos e corre para as laterais para apreciar a vista do penhasco, aqueles janelões enormes... Uma viagem.

    Cheguei à seguinte conclusão: é um museu-metonímia. O continente pelo conteúdo. A obra de arte é o museu! Podem botar Picasso ali que não vai roubar a atenção do lugar.

    Programão, acreditem. E é pra ir de barca, hein? Que de arquitetura basta o MAC.

     



    Escrito por cynara às 18h54
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    Superpoderes

    Essa é pra voar junto comigo... Bora? (Coluna da VIP de outubro; a ilustra é do Galvão)

    ***

    SUPERPODERES

    Afinal, quem precisa deles?

    De todas as habilidades do Super-Homem (voar, ser ultraveloz ou aquela que dez entre dez meninos invejam: ter visão de raio X pra ver as calcinhas das minas), eu mesma queria ter só uma. Poder forçar a Terra a girar ao contrário, fazer o tempo voltar e ter a chance de mudar o destino. Ou pelo menos tentar.
    Quando penso no Tocha Humana, sou menos nobre e imagino como seria ótimo pulverizar, transformar em churrasquinho tudo quanto é coisa ruim que aparece no meu caminho. Inclusive políticos. Era só apontar a chama e... vuuush!
    Não é novidade que toda mulher no fundo deseja ser Diana, a Mulher-Maravilha. Amazona gostosa e superpoderosa. Capaz de ser uma profissional incrível e ao mesmo tempo dedicada aos filhos, à casa e ao marido, que malha sete vezes por semana, faz supermercado, lê e escreve poemas épicos, sem contar os trabalhos voluntários nas horas vagas (!). Mas eu passo: ninguém é perfeito.
    Os super-heróis em geral são lindos (ah, o Wolverine...), mas o que eu acho poético no Coisa é essa capacidade que ele tem – como poucos homens – de ser assim, hã, tão duro por fora e, por dentro, uma moça.
    Se eu tivesse o martelo de Thor, com o poder de controlar as chuvas e os ventos, nunca mais haveria domingos sem sol. Juro por Odin. Mas se eu pudesse ficar invisível como aquela moça dos Quatro Fantásticos, hum... Acho que passaria o resto dos dias surrupiando creminhos nos free shops para minha pele – nem sempre vou estar invisível, né? – e produtos importados carésimos nos supermercados. (Bem se vê que não nasci para super-herói.)
    O Homem de Ferro é invencível e tudo o mais, mas não o invejo: água não é com ele. O cara não pode nem entrar no mar, numa cachoeira ou até numa piscina que oxida todo! Preferia ter as habilidades aquáticas do Namor, o príncipe submarino. Puxa, o homem nada que nem golfinho. E tem coisa melhor que nadar? É a única maneira de se desligar da terra, do chão, de verdade– a não ser que você acredite em levitar.
    Confesso que algumas vezes desejei crescer, encorpar, ficar verde e partir para a ignorância que nem o Hulk, mas não rolou.
    O patriotismo do Capitão América é tocante, mas não consigo sentir o mesmo que ele por um país. Olha que o Brasil me parece um lugar bem mais fácil de amar do que os Estados Unidos do herói, mas de vez em quando bate uma vontade de dar o fora...
    Para que eu ia querer o lança-teias do Homem Aranha? Uai, só por diversão. Também não imagino utilidade redentora em se espichar feito o Homem Elástico, mas não seria cool pegar um refrigerante na cozinha sem parar de assistir ao filme na TV da sala?
    E não é que eu deseje ser tão especial quanto o Surfista Prateado, possuir um poder cósmico, atrair e emanar energia – sabia que ele não come nem respira porque sua pele absorve essa onda toda? Os poderes telepáticos dele são legais, mas o que eu queria era deslizar pelo espaço, surfar as nuvens, ver o mundo lá do alto num dia feliz, achando tudo lindo. Pensando bem, dá para fazer isso sem ter superpoder algum.
    No fundo, sou mais fã do homem que do Super-Homem. A natureza humana às vezes me parece sobre-humana. Pensar que podemos ser valentes como os super-heróis, enfrentar cada parada dura... E com nosso próprio muque! Também admiro nossa capacidade de errar e acertar: heróis precisam ser infalíveis. Nós, não.
     



    Escrito por cynara às 18h48
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