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A civilização acidental
No meio das férias, eis que abro a internet e dou de cara com o enforcamento de Saddam Hussein. Deus meu, ainda enforcam seres humanos em pleno século 21?
Ok, o cara era mau, mas peraí, não éramos nós a tal civilização ocidental? Aquela que criticava nos muçulmanos hábitos como cortar clitóris de mulheres, dar chibatadas em bandidos, arrancar mãos de ladrões etc.? Olho por olho dente por dente não era algo utrapassado?
Matamos Saddam como um animal... Pior, porque, segundo as leis muçulmanas, é proibido: manipular animais com crueldade; abatê-los na presença de outros animais; amolar as facas diante deles. Saddam foi enforcado ouvindo insultos. Sob que lei isso pode ser considerado digno?
Me senti parte de uma horda de bárbaros em plena comemoração de ano "novo".
Escrito por cynara às 15h30
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O verão e suas ondas
Doze dias na Praia do Rosa em Santa Catarina, reduto argentino do litoral brasileiro. Muito sol, lagoa e mar. Lagoa melhor, que a água é morninha. Comer na varanda com o prato na mão, chinelo de dedo, olhando pro quintal... Pra virar Bahia só faltaram as mangas no pé!
Spa a céu aberto: caminhadas, natação, canoagem e, para os animados, kite surf e sandboard... Impossível não voltar com o corpinho em dia.
Gente bonita na areia. Olhando as moças, fiquei pensando nessas listas paulistanas de "o que vai ser moda no verão". Diziam que: franja. Não vi nenhuma. Aliás, o cabelo liso, chapinhado, já era!!! Muito cabelo natural, cachos ao sabor do vento! Diziam que: fio preto no i-pod. E quem vai pra praia ouvir i-pod??? Só se for paulista... Gente, desculpa, mas desde quando paulista entende de praia?
Vou dar minha lista do que vi (dá-lhe frescura): muito grampinho no cabelo pra manter o tal mais ou menos arrumado com tanto vento, água salgada e areia; biquíni saint-tropez, bem no quadril, pequenos e larguinhos também, meio retrô; havaianas de todo tipo; oculões; e a ibização do litoral brasileiro, o que é uma pena: muita música eletrônica everywhere, com aqueles sofazões em vários bares pro pessoal ficar, er, chilling out... Pode?
Ai que saudade de quando verão era dançar forró com os nativos!
Escrito por cynara às 15h22
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Divina concessionária
Opa, primeiro post do ano a gente nunca esquece!!! Para variar, vou de coluna da VIP (a ilustra é da Renata Borges). Mas aguardem, nos próximos dias, vários textos inéditos, que tô com a cabeça fervilhante!!! Feliz 2007, folks!
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DIVINA CONCESSIONÁRIA VAI, HOMEM, SER AUTOMÓVEL NA VIDA
Gosto de pensar que somos iguaizinhos aos automóveis. Claro, com a sutil diferença de que temos alma. Nisso não cabe discussão: não acredito em muita coisa, tampouco tenho certeza de nada, da vida após a morte, da existência ou da inexistência de Deus. Sou agnóstica. Mas creio fervorosamente na alma humana. Sem ela, seríamos apenas... carros.
São incríveis as similaridades entre o homem e as máquinas – essa máquina, em especial. Já em 1914, o poeta Fernando Pessoa, em sua Ode Triunfal (assinada pelo heterônimo Álvaro de Campos), diz: “Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime! Ser completo como uma máquina! Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!” E não seria bom?
Zero-quilômetro, novinhos em folha, precisamos de muito pouca coisa além de combustível. Basta alimentarem-nos regularmente para que não demos nenhum problema a nossos proprietários. Bem abastecidos, ronronamos como o motor de uma Ferrari. Corremos pra cima e pra baixo, a toda velocidade, sem nos cansar. Zuuum! Um pouco de água também é bom.
Depois, ao longo dos anos, passamos a precisar de uma manutenção. Começa com um pneuzinho furado aqui, outro ali, uma amassadinha na lataria acolá. Pode ser que a gente quebre alguma junta, a suspensão... Para tudo tem conserto – e como para nós, não é nada barato. Por que não lançam plano de saúde também para os carros?
Para evitar problemas sérios, nada melhor que manter a máquina azeitada. Leve sempre sua carcaça para desenferrujar, coloque-a em movimento. Carro parado não quebra? Pois então. E veja bem que combustível enfia dentro de si! Isso é importantíssimo. Tá cheio de gasolina adulterada por aí, você sabe.
Com o tempo, as revisões regulares (olha lá, também se chamam check-ups nas oficinas) são indispensáveis. De vez em quando, pilote-se até o mecânico: então, doutor, como está meu motor, reguladinho, funcionando bem? Nesses momentos só nos resta fazer figa.
Por mais que você cuide, uma hora o negócio começa a falhar. Dá umas tossidinhas. Deixa você na rua. Morre (epa!) por qualquer motivo. Pode-se retificar uma, duas vezes. Pode-se trocar peças avariadas por outras de algum desmanche. Dá até mesmo para trocar o motor em certos casos. Mas uma hora não tem jeito: pifa. É a famosa perda total.
Com a lataria é a mesma coisa: tem gente que leva para a funilaria/lanternagem, faz uma pintura, dá uma guaribada geral, estica tudinho. Tem gente ainda que curte levantar a carroceria, turbinar a máquina... Só que, por melhor que tenha sido o serviço, não costuma enganar. Carro velho é carro velho.
Comparar-se aos carros, como tudo na vida, tem um lado bom e outro ruim. O lado ruim é que temos a tendência de não nos preocuparmos com o carro dos outros. Aliás, no mundo de hoje tendemos inclusive a diminuir o automóvel alheio: assim como a vida do seu semelhante, o veículo dele é sempre pior do que o seu, mais velho, mais feio, mais lento. Sai da frente, pô - como se a gentileza não fosse a maior das leis do trânsito.
O lado bom é que, pensando em si mesmo como uma máquina, você vai fazer de tudo para que o funcionamento dela seja excelente e para que dure o máximo de tempo possível sem apresentar defeito. Tem uns modelos vintage inteiraços por aí! Ah, mas e se houver um acidente?, você pergunta. Ora, nem mesmo o mais caro dos automóveis pode fugir do destino.
Escrito por cynara às 14h47
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