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    Ser homem-objeto é bom?

    Sei que ando relapsa com o blog, mas é que a vida real também demanda atenção, não é? Vivemos mais e escrevemos menos... Por enquanto segue, como sempre, a coluna mensal da VIP, com ilustração de Karmo. Bon apetit.

    ***

    SER HOMEM-OBJETO É BOM?
    O BOND BOY INVADIU A PRAIA DA BOND GIRL. PROBLEMA SEU, RAPAZ

     

    Túnel do tempo: estamos em 1949, na pré-estréia do filme Sansão e Dalila, dirigido por Cecil B. DeMille, com o bombado Victor Mature e a belíssima Hedy Lamarr como protagonistas. Após a exibição, o comediante Groucho Marx dá sua opinião arrasadora: “Só tem um problema, C.B. Não consigo me interessar por nenhum filme em que os peitos do ator principal sejam maiores que os da atriz”.

    Pobre Groucho, pobre Cecil e pobre de você, leitor: 58 anos se passaram e o que se vê nas telas hoje em dia? Os galãs em pé de igualdade com as estrelas como objeto de desejo da platéia. Vá ao cinema e verá tantos torsos masculinos quanto femininos. Abdomes tanquinhos competindo com barriguinhas curvilíneas. Traseiros musculosos disputando espaço com bumbuns redondinhos...

    Vai dizer que não reparou? Então pense em todos os filmes do 007 que você já viu na vida. Inesquecível a imagem de Ursula Andress saindo da água de biquíni em O Satânico Dr. No, não é? Corta para o 007 mais recente, Casino Royale: a mesma cena de praia e, saindo da água, ninguém menos que Daniel Craig, o novo James Bond, saradão, gostosão, seminu – e peitudérrimo.

    Quer você aceite ou não, a Bond Girl virou Bond Boy! O homem é hoje olhado com cobiça similar a de que foram alvo as mulheres desde o princípio dos tempos. Curioso é que muitos psicanalistas defendem que a mulher não possui desejo visual... Humpf. Vai dizer isso para as moças que babam diante dos machos descamisados das novelas! Aliás, macho sem camisa em novelas? Pois é...

    A apreciação de corpos masculinos desnudos, tão associada aos homossexuais na Grécia antiga ou em eras mais recentes, foi completamente absorvida pelas mulheres. Elas passaram a admirar o exterior do homem como nunca; a desejá-lo; a suspirar por ele. Melhor dizendo: a salivar por um corpo definido como se estivessem em cio permanente.

    Numa festa, encorajadas pelo álcool, tem umas que chegam a passar a mão nos caras no maior descaramento! E não se espante se no futuro vir mulheres de capacete, encarapitadas no andaime de alguma obra, enrubescendo os homens que passam com comentários do tipo: “Cair do céu machucou, meu anjo?” ou “Nossa, o que esse bombonzinho está fazendo fora da caixa???” E ainda: “Êêêê lá em casa!!!”

    O que me intriga nisso tudo é descobrir se essa inversão de papéis desagrada ao homem da mesma maneira que desagrada às mulheres. Virar objeto sexual, um naco de carne que todo mundo quer morder... Nenhuma mulher gosta de se sentir assim – bom, não vou generalizar, mas não é exatamente confortável constatar que o que você fala ou pensa importa bem menos que seu corpinho.

    Será que os homens curtem se ver nessa posição? Ou chegará um tempo em que começarão a dizer também: “Elas não ligam para os meus sentimentos, só querem me comer!” Começará o homem a fazer forfait com as garotas, a exigir: “Quero que me reconheçam pelo que eu penso, não quero ser apenas mais um rostinho bonito!” Hein?

    Respostas para esta coluna. Juro que irei prestar atenção direitinho no que você escrever, pitéu.



    Escrito por cynara às 12h59
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