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    Pensão alimentícia S/A

    Taí a coluna de agosto (ilustra do Alexandre Camanho). Vou ver se amanhã consigo um tempim pra postar a íntegra da entrevista que fiz com o cineasta Claudio Assis. Saiu pequena na VIP, vale a pena ler inteira. O cara é uma figura!

    ***

    PENSÃO ALIMENTÍCIA S/A
    É ERRADO TER FILHO SEM QUE O PAI QUEIRA. E PONTO

    Não resisto a comentar a história do senador suspeito de corrupção que teve uma filha fora do casamento. Corrupção é coisa pra Justiça tratar, mas sobre ética qualquer um pode refletir – ou a falta dela. Hoje em dia, pós-exame de DNA, tornou-se comum: você transa com uma mulher, às vezes só por uma noite, ela engravida e, depois de provar que o filho é seu, o obriga a pagar pensão.

    Com certa dose de dor-de-cotovelo por ser a amante uma gata, a esposa traída pelo tal político resumiu o imbróglio à seguinte frase:“Homem é mesmo muito besta”. Para ela, seu queridinho caiu em um golpe: teria sido “vítima” da sedução da bela e jovem jornalista. Acho ridículo esse raciocínio. Mas...

    Sempre me intrigaram esses casos de homens poderosos cujas namoradas (ou amantes ou casos fortuitos) engravidam sem o seu consentimento. Sem consentimento em termos: a princípio, um cara que não é vasectomizado ou estéril deve sempre partir do pressuposto que pode gerar um filho. Portanto, o erro fundamental é do homem. Se não quisesse ter filho, que usasse camisinha, ora.

    Uma vez emprenhada, é raríssimo que uma mulher submeta seu filho a um teste de DNA sem ter a certeza de que o sujeito é o pai da criança. Além de ser um total mico se der negativo, só uma pessoa totalmente promíscua poderia não saber que foi fulano ou beltrano o autor da proeza. Os jogadores de futebol que o digam. Quantos deles já não
    se viram numa situação semelhante e não deu outra: gol pras marias-chuteiras...

    Uma história recente envolveu o comediante Eddie Murphy: ele namorava uma das Spice Girls, Melanie Brown, até que ela engravidou. Mel B. chegou a registrar o recém-nascido, mesmo antes do resultado do teste (exigido por Eddie), como Angel Murphy Brown. Deu positivo, óbvio.

    AMOR DE MÃE
    A questão pra mim é a seguinte: se o interesse dessas moças, como elas dizem, é salvaguardar as crianças, por que optaram por tê-las sabendo que não iriam ter pai? Se só pensavam no bem-estar dos pequenos, como não se deram conta de que é importante para eles ter pai e mãe? Ou acaso roqueiros de fama internacional que só vêem o filho brasileiro uma vez por ano (e olhe lá) podem ser considerados “bons pais”?

    É mentira delas. A última coisa em que essas mulheres pensaram foi na criança. Tiveram o bebê algumas por vaidade de ter um filho de pai famoso, outras por puro interesse. A paternidade, para elas, se resume a pagar pensão alimentícia. De preferência a mais alta possível, para cobrir os futuros danos psicológicos na criança dessa ausência paterna. Haja empreiteiro amigo pra ajudar.

    O mais interessante é que antigamente o chamado “golpe da barriga” era feito por uma razão até um pouco mais “nobre”, vá lá: a mulher apaixonada embuchava pra tentar agarrar o amado, escorregadio que nem quiabo quando o assunto era casamento. Hoje nem isso. Muitas dessas mulheres não estão nem um pouco a fim de ficar com os caras que as engravidaram: estão a fim é da grana, mesmo.

    Ter filho é uma decisão que se toma a dois. Ainda mais hoje em dia, quando muitos homens estão dispostos a participar da criação, a dar carinho, a dividir as tarefas. Pensar o contrário é machismo, também: “Ah, a mãe é mais fundamental que o pai...”. Não, não é. Ambos são fundamentais. Quem põe um filho no mundo sem se preocupar se ele terá pai – pai de verdade, não um nome no registro civil – é egoísta. E egoísmo não combina nada com maternidade.



    Escrito por cynara às 17h59
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    Fama e anonimato

     

    Tô postando duas colunas da VIP seguidas porque estava de férias. A seguir, a coluna publicada na edição de julho, que ainda não havia sido postada. Alguns bons amigos fazem figuração de luxo nela. (Para bons entendedores...)

    A ilustra é do Alexandre Schadek.

    ***

    FAMA E ANONIMATO
    VIRAR CELEBRIDADE É ROUBADA PRA BIG BROTHER BUNDÃO

    Hoje você discutiu com a síndica do prédio. Mandou a sujeita à merda porque reclamou daquele amasso que deu na gata em plena escada, entre o 12º e o 13º. A câmera da portaria pegou tudo. O zelador nem ligou, mas a mulher ficou uma fera.

    Você sai pela rua gargalhando. Acordou cedo, deu vontade de ir para o trabalho a pé. Vai olhando as vitrines das lojas e pára no sebo da esquina pra folhear uns livros. Você sabe que é errado, mas não resiste e enfia na calça uma edição de bolso do Recruta Zero. O problema é que o segurança viu... E lá vai você pagar o mico de ir direto pro caixa fazer a compra, quietinho.

    Tudo bem, não se ganham todas. Além do mais, é sexta-feira e as horas no trampo vão passar rapidinho, porque logo mais, à noite, você vai sair com a galera. Antes disso, ainda rola um cineminha com a mina. No caminho, no carro mesmo, vocês acendem um baseado – você nem curte tanto, mas a gata adora fumar unzinho antes de assistir a um filme. Um cara passa por vocês, vê o baseadão no seu bico e tira a maior onda.

    Você encontra a tchurma e senta nas mesinhas da calçada de um bar qualquer. Começam a falar besteira, rir muito e falar alto pra caramba. Seu amigo Nico é o primeiro a ficar bêbado. Ele começa a azarar absolutamente todas as meninas do lugar. Escolhe a mais delicada e linda, se joga no chão e beija os pés dela. Quando a bebedeira aumenta, ele esquece a gata e passa a xingar o chefe de vocês – um cara poderoso e superconhecido. Diz que ele é um filho da puta e que tem vontade de matá-lo.

    Aquele amigo gay, o Nelson, pede uma cachaça e depois outra e outra ainda. Começa a gargalhar, contar histórias sujas, falar palavrões e revelar as intimidades de todos – em decibéis tão elevados que o bar inteiro ri. O doido do Nelson começa a achar o garçom gostoso, passa uma cantada nele e, sabe o que mais?, cola.

    STRIP TEARS
    Beleza, galera, você diz, hora de ir pra boate. Na saída, tem de segurar o Pedrão, que quer dar porrada no guardador por causa de um arranhãozinho de nada no carro. Todo mundo tá alteradaço: sua gata mesmo já manguaçou um bocado. No problem, você também já tomou uns uiscões e tá que é só alegria. A pista da disco está lotada.

    A certa altura da noite sua amiga Silvia some e só vai reaparecer num canto escuro, meia hora depois, sem blusa e sem memória. Enquanto isso, a Dani, que anda triste porque o namorado a deixou, sobe na mesa e improvisa um strip-tease lacrimejante, gritando: “Quem quer me comer?”. Sua gata tem que tirar as duas de lá e enfiá-las num táxi.

    Aproveitando a deixa, você vai ao bar pra pegar a saideira. Chegando lá, a namorada do Pedrão te puxa pelo braço e leva pro banheiro pruns amassos. Putz, você sempre teve tesão pela mina, mas o que a louca estava querendo mesmo era a sua companhia para usar substâncias suspeitas – na maior bandeira, com a porta aberta e tudo o mais. É nesse momento que sua gata aparece e dá o flagra nos dois.

    Vai dizer que nunca viu ou viveu algo parecido? Quem nunca pecou que atire a primeira pedra... Agora imagina se você fosse famoso: tava ferrado! Querer virar celebridade é coisa de otário. Não tem dinheiro no mundo que compense as delícias de ser anônimo.
    P.S.: Pelo sim, pelo não, beba com moderação.



    Escrito por cynara às 17h51
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